O MUNDO
Arcanos Maiores · 21

O MUNDO

realizaçãocompletudesucessoencerramentounidadefim de uma jornadaharmoniachegada ao lar

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Significado direto

O MUNDO em posição direita é a mensagem mais bela do Tarot: um caminho importante seu se cumpriu. Aquilo em que você acreditava, pelo que você trabalhou, trará seus frutos. Os anjos celebram com você com amor. Este é um momento de gratidão – e, ao mesmo tempo, o início de uma fase ainda mais bonita.

Significado invertido

incompletude, encerramento adiado, sentimento de falta, último passo emperrado

Correspondências — Elemento: Terra · Número: 21 · Planeta: Saturno · Sim-Não: Sim

A imagem e o simbolismo da carta

Uma figura dança dentro de uma enorme coroa de louros oval, quase nua, com apenas um lenço roxo solto a envolvê-la, e segurando um cajado em cada mão.

A coroa é adornada com uma fita vermelha em cima e em baixo, e nos quatro cantos, quatro figuras aladas espreitam das nuvens: um anjo, uma águia, um leão e um touro.

E nota o mais importante: eles depuseram o livro.

Eles depuseram o livro

Esta é a parte mais linda deste baralho, e quase ninguém a nota.

Na carta da Roda da Fortuna, as mesmas quatro figuras estavam sentadas nos mesmos cantos, e todas as quatro estavam a ler um livro. A roda girava, a sorte e o infortúnio vinham e iam, tudo ondulava — e eles continuavam a ler, porque ainda estavam a aprender.

Aqui, eles já não têm livros.

Não porque se cansaram. Mas porque não há mais nada para ler: para quem chegou, a descrição já não é necessária.

Toda esta carta em um único movimento — não é que ganhaste o jogo. É que, de repente, já não precisas de aprender.

Com a perna cruzada

E agora olha para os pés: estão cruzados, um à frente do outro.

A mesma postura que os pés do Enforcado formavam, só que ele estava pendurado de cabeça para baixo numa árvore, com um halo à volta da cabeça.

A mesma figura. Invertida.

Doze ao contrário é vinte e um — e foi exatamente isso que aconteceu: não foi preciso outra situação para que algo se invertesse. Apenas um outro ponto de vista, e muitos anos.

Foi isso que naquela altura não se podia acreditar, pendurado de cabeça para baixo: que aquela postura um dia seria uma dança.

Duas varas, não uma

Ele tem duas varas nas mãos, uma à direita, outra à esquerda, em equilíbrio.

Na carta do Mago, uma das primeiríssimas cartas, uma única vara estava erguida: toda a força estava lá, mas ele ainda não sabia o que fazer com ela.

Aqui há duas. E ele não levanta nenhuma delas.

Quem segura uma, prova algo. Quem segura duas, já não segura nada — apenas É.

A coroa é um zero

Olha para a forma da coroa: oval. Um grande zero verde.

E o zero é o número da carta que começou tudo isto: O Louco, que estava à beira do abismo, com uma pequena trouxa, uma pena vermelha no chapéu, e não fazia ideia de nada.

Ou seja, esta carta não é uma meta. É uma porta — e do outro lado está novamente uma pessoa que não sabe nada e está prestes a partir.

É por isso que não há um verdadeiro fim neste baralho. Quem chegou percebe que está de novo no início de algo.

Dança

Esta é a única figura em todo o Arcanos Maiores que dança.

Sentou-se no trono, montou a cavalo, pendurou-se numa árvore, ajoelhou-se na água, caiu da torre — mas dançar só se dança aqui.

E a dança é o único movimento no mundo que não tem objetivo. Não vai a lugar nenhum. Não quer nada. Simplesmente dura enquanto a música toca.

O lenço roxo

Não há roupa, apenas um lenço roxo que apenas a envolve.

Havia armadura no Imperador, sangue na Carruagem, hábito cinzento no Eremita, correntes no Diabo, coroa no topo da Torre — tudo caiu.

Isto é o que restou: um lenço que não protege de nada, nem quer.

A fita vermelha

A grinalda é amarrada em cima e em baixo por fitas vermelhas — e se observares as suas formas, verás um oito deitado. O sinal do infinito.

O mesmo sinal que pairava sobre a cabeça do Mago numa das primeiríssimas cartas, e o mesmo que estava sobre a mulher da Força quando ela segurava a boca do leão.

Só que ali pairava no ar, inatingível, por si só. Aqui, porém, está a trabalhar: segura a grinalda, mantém-na unida.

Esta é a diferença entre saber sobre o infinito e tê-lo nas mãos — um é um símbolo, o outro é um nó.

Saturno e o vinte e um

Saturno é o planeta dos limites, do tempo e da paciência: esta carta não é para aqueles que foram espertos, mas para aqueles que persistiram.

E o vinte e um não é o maior número do baralho. É apenas o último — e depois vem o zero novamente.

A sombra

Na posição invertida, a incompletude trabalha: noventa e cinco por cento de algo está pronto, e está assim há anos.

A segunda sombra é a sensação de ausência: chegaste e não sentes. Nesses casos, a pessoa procura imediatamente um novo objetivo para não ter que viver a sensação de ter conseguido.

E a terceira é a mais silenciosa: aquela que não ousa fechar, porque enquanto não houver fim, não se pode saber se foi bom.

Se esta carta chegou até você agora

Termina as coisas corretamente. Não passes silenciosamente para a próxima — diga que está pronto, e permita-te que seja bom.

E quando estiver, olha à tua volta: a coroa é um zero. Do outro lado está alguém com uma pequena trouxa, com uma pena vermelha no chapéu.

Essa pessoa também és tu.

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