NOVE DE ESPADAS
Naipe: Kardok · Kilences

NOVE DE ESPADAS

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Significado Direto

O Nove de Espadas é a carta da preocupação: os pensamentos noturnos frequentemente pintam a situação mais sombria do que ela realmente é. A carta é um lembrete gentil de que o medo é, na maioria das vezes, maior do que o perigo real.

Significado Invertido

A preocupação está se dissolvendo, alívio e esperança estão chegando. O pedido da carta é: abandone os medos noturnos.

Correspondências — Elemento: Ar · Naipe: Espadas · Posto: Nove · Sim-Não: Não – mas não é a realidade que fala

A imagem e o simbolismo da carta

Alguém está sentado na cama no meio da noite, com o rosto nas mãos. A parede atrás dela é preta. Nove espadas pendem horizontalmente no escuro – elas não a tocam, não caem, apenas flutuam ali. No cobertor há rosas e signos do zodíaco, na lateral da cama uma gravura: duas figuras, uma derrotando a outra.

Esta carta é a três da manhã. Todo mundo conhece.

E preste atenção ao mais importante: as espadas não estão nela. Elas flutuam na parede. Não perfuram, não caem, nada acontece. Esta carta não é sobre a catástrofe – mas sobre a sua espera.

Às três da manhã

Há uma hora em que tudo é maior. Quando um telefonema não atendido parece uma separação, um número na conta parece um colapso, uma dor de cabeça parece o fim. Às sete da manhã, o mesmo pensamento já é apenas uma tarefa.

Nada mudou enquanto isso. Apenas o sol nasceu.

Esta é o Nove de Espadas: o elemento ar, do pensamento – só que agora ninguém o governa. A cabeça ficou sozinha no escuro e começou a imaginar o pior.

O rosto que não vemos

Ela afunda o rosto nas mãos. Não grita, não foge. Apenas senta.

E este é um dos detalhes mais honestos desta carta: ninguém vê isso. As pessoas não sabem o que os outros estão passando às três da manhã. Quem cumprimenta sorrindo na loja de manhã, também pode ter sentado da mesma forma à noite.

Se você é essa figura agora – você não está sozinho. Acontece que todos os outros também estão sentados no escuro, da mesma forma, sozinhos.

O cobertor cheio de vida

Este é o segredo mais doce desta carta. O cobertor não é triste. Tem rosas e signos do zodíaco – sinais da vida e da ordem celestial. É colorido, quente, rico.

A beleza está lá o tempo todo. Está sobre ela. Só que seus olhos estão em suas mãos.

Esta é uma descrição precisa da ansiedade. Não é que não haja nada de bom em sua vida. É que você não vê nada disso enquanto está sentado assim.

A gravura na lateral da cama

Duas figuras, uma derrotando a outra. Isso já aconteceu – há muito tempo, em gravura, em pedra.

As velhas feridas não desaparecem. À noite, elas falam. O que você teme hoje de manhã geralmente não tem nada a ver com o dia de hoje: um medo muito antigo encontrou um pretexto atual.

Nove, não um

Por que nove espadas? Porque a ansiedade nunca é sobre uma coisa só.

Começa com uma: um telefonema não atendido. Depois vem a segunda: com certeza está com raiva. A terceira: todo mundo está com raiva. A quarta: eu sempre faço isso. A quinta: eu sou assim. E às três e meia da manhã, todas as nove estão penduradas uma ao lado da outra, e você nem se lembra qual foi a primeira.

É assim que a ansiedade funciona. Ela não se aprofunda – ela se multiplica. É por isso que você não pode pensar para sair dela: cada resposta gera uma nova espada.

A parede que é preta

Não se vê nada por trás dela. Nem janela, nem porta, nem manhã.

Mas ainda amanhecerá. O fato de você não ver não significa que não está lá.

Esta é a mensagem final desta carta, e não parece grandiosa, mas é: a ansiedade não é profeta. Não sabe nada sobre o futuro. Apenas fala alto no escuro.

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